Projeto
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Da poesia das coisas: projétil
Trabalho realizado em conjunto com o grupo de alunos do Colégio Normal de Juiz de Fora a partir da oficina lugar de memória e arte.
Exercício de observação de uma imagem que está em fuga. Ativar a memória e nos atentar ao caráter "coisal" de tudo que está ao nosso redor. Ser coisa talvez se dê pela relação do espaçamento de nossas existências ligado à noções de certas temporalidades. Essa fugacidade de projétil alimenta o que está a vir, mas ao certo, dificilmente materializamos o que se trata.
A partir de uma leitura do conceito de habitar e construir proposto por Martin Heidegger foram desenvolvidas ações — junto a um grupo de alunos da Escola Normal de Juiz de fora — tendo como operação a ideia de espaço e seu entrelaçamento com a ação de espaçar; permitindo assim uma liberdade de vivências ancoradas por nossas memórias. Talvez essa forma dialética, que nos traz um sintoma, seja o caco. Um prato ao ser quebrado se transforma em cacos. Um caco após ser novamente fragmentado cria outros cacos menores, que derivarão outros microcacos, e assim por diante. Nesse atual potencial de reação o embate das superfícies com o corpo e os outros cacos que alimentamos produzem um lugar. A qual se estabelece este não sei dizer. mas são rastros. Uma série de rastros é o que produz um caminho. Assim como para produzir um rastro é necessário um caco, o resto quase nunca é a diferença.





Não havia um relógio para acordar, ou ainda um simples galo que anunciasse, como um prenúncio, que uma centelha de vermelho ou mesmo de alaranjado se alastra pelo céu no horizonte daquele lugar. O Zeca tinha deixado a gente.
Encontrei com ela passando pela capela — descansando por conta das pernas inchadas; com uma sacola de alguma coisa que espetava, que segundo ela fazia um chá muito bom para as juntas. Pegou sua sacola, olhou pra dentro da capela, e disse: “Sabe porque o defunto nunca é enterrado de costas, meu fio? Quando vemos alguém de bruço, nos vemos e nos enxergamos no centro da espinha...E é por isso Miltinho, que as pessoas quando são enterradas não são colocadas de bruço”.
Comecei a ligar os pontos. À noite, um galo cantou.
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