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Afinal de contas, eu não estou no mar, 2022
Performance, fotoperformance + video
A performance “Afinal de contas, eu não estou no mar” (2022), se constrói sobre o que restou do monumento dedicado ao escravocrata Bernardo Mascarenhas, na Praça Antônio Carlos, em Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil). O movimento e a ação insurgem de forma rítmica e sequenciada. O gesto de remar em busca de novos horizontes trazidos pelo território localizado entre as diásporas históricas e as diásporas cotidianas se manifesta em uma imagem-desejo. Durante um curto período de tempo – aproximadamente dois minutos –, uma ação é construída na presença de um estado de ruína do monumento e da busca por moção e dobra de um remar cíclico que desencadeiam no pensamento de temporalidades espiralares, indo contra os pilares de violências lineares e positivistas estruturados no ocidente. A cada remada se produz uma nova circunstância, operando em dissonância nesses atos a pausa e o movimento, a ação e a inação, a repetição e a sequencialidade.
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https://www.youtube.com/watch?v=TjVNmGFyr5U
Performer: Lucas Soares
Direção de Fotografia: Marize Moreno
Fotografia Analógica: Julia Bioni
2022
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“No fim do dia, muito antes de atolar meus pés nas poças densas e espessas de graxa, que pareciam um mangue molhado e ramoso, o chão com um amontoado de pedras e cacos de garrafas pontiagudos com restos de sangue ainda fresco, que se misturam com infinitos grãos de areia encontrados embaixo de todo o percurso, como um tapete dourado, que só aparecem aos meus olhos quando faço um rastro com as pontas dos meus dedos e que me faz lembrar daqueles(as) que experienciaram e rasgaram da sua pele na mesma travessia. E no fim de tudo, está uma pequena jangada, com bases de madeira apodrecidas e com buracos gigantescos que servem de armadilhas tanto para os tornozelos quanto para os ratos acinzentados. Dentro do local, enrolada em uma cama de feltro, uma estrela-do-mar, que, com suas extremidades, me aponta para todas as direções, de volta as águas que hoje já não me lembro e que só as via quando me colocava diante dos olhos de minha avó, em um movimento que atravessa tempos e que me faz pensar: afinal de contas, eu não estou no mar ?“
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Afinal de contas, eu não estou no mar
2022
Foto-performance
kodak EKTAR 100 120 mm
Fotografia: Julia Bioni
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