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Tumbeiros

Contra-monumento ativado na Praça Professor Antônio Carlos, Juiz de Fora - MG.
 

Em dezembro de 2020, após uma intensa semana de chuvas na cidade de Juiz de Fora (MG), uma árvore – Acácia negra –  caiu na praça Antônio Carlos, levando ao chão um monumento erguido ao escravocrata e empreendedor têxtil Bernardo Mascarenhas. E quando o vento assobiava, dentro do monumento, foi encontrada uma colmeia de abelhas em atividade, assim como uma quantidade de mel que escorria como um prenúncio de vontade dourada de amolecer as pedras e firmar o corpo no chão em que pisamos. Parto a imaginar esses três momentos: A queda seguida da fragmentação, o encontro com o chão e a busca de mel. 

           Em tumbeiros, nome dado aos navios negreiros, recolho fragmentos do mesmo pilar que ergueu o monumento em busca de refletir sobre um estado de ruína e o sintoma da construção de cacos. Esses resquícios de símbolos de violência podem evocar uma condição da dinâmica dos tempos presente na história colonial, onde os restos da vida cotidiana são material poético e o acaso é movimento.

           A Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, fundada pelo mesmo escravocrata, abriu suas portas em data muito próxima da aprovação da lei para abolir a escravidão no Brasil; no mesmo ano, no mesmo mês, dias após a assinatura da Lei Aurea. 

          Os fragmentos da história estão aí e constroem um jogo de espelhamento entre os navios negreiros que cruzaram as águas do Atlântico e a construção da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas. Proponho um diálogo entre as memórias afro-diaspóricas e as identidades forjadas pela repetição das imagens que vemos nos espaços públicos. Arrumo os estilhaços em volta do pedestal em pequenos espelhos que refletem o azul e fazem o céu descer até o chão. O céu de outono vira mar e o Atlântico Negro  se torna uma dupla-percepção de navegar pelo agora. 

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Tumbeiros. 2021. Transferência em Thinner em fragmentos do pilar do monumento a Bernardo Mascarenhas e  espelho.

Tumbeiros 

Contra-monumento

Transferência em Thinner em fragmentos do pilar do monumento a Bernardo Mascarenhas e  espelho.

2021

 

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Video Still

5’ 01’’

Ativação do gesto: Lucas Soares

Direção Fotográfica: Marize Moreno

Participação em Festivais:

  • “FAC (Festival de Arte de Cultura”), 2021. Exibição na categoria “Restos da Imagem”. 

  • Mostra “mina,  caco,  ruína e minério” , 2021. Exposição coletiva da residência artística “IAI?” , IA - instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto.

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Fixação dos fragmentos do monumento em diferentes espaços da Praça Antõnio Carlos, após a ativação de "Tumbeiros".

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Ativação de Tumbeiros. Kodak Ektar 100 120 mm. 

© 2022 Lucas Soares

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