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Sobre microposicionamentos das coisas 

Exposição realizada  no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Galeria Celine Bracher, Juiz de Fora, MG

A operação de microposicionar consiste no direcionamento do olhar e na transfiguração de objetos triviais a partir da linguagem escultórica. Com esse procedimento operacional  busco uma re-imagem de elementos que povoam a lógica do cotidiano, das relações com uma sintaxe espacial e das formas de pertencimento de um lugar.

Quanto ao prefixo “micro”, pareceu fazer sentido acrescenta-lo a cada situação em que encontrava novas possibilidades, em que via uma relação proveniente de um denominador comum que operava em diferentes ações e situações, muitas delas não ditas ou pensadas exclusivamente no campo das artes. Nesse sentido, a ideia do micro, do pequeno, estabelece-se enquanto uma analogia ao que, de maneira pejorativa, é classificado como "coloquial, banal, menor, pouco, fraco, de fácil acesso".

Por isso observo o bruto. O que gosto mesmo é de pensar no pequeno. No banal. Nos restos. Nos pedaços. No que falta. No que possivelmente já vimos. No que já pegamos. No que achamos que conhecemos. No que nos dá pistas. No que quando falado, sai fácil pela boca. No que passa pelos espaços entre os dedos. No que pode ser deslocado, quebrado, puxado, encolhido, colado, fragmentado, empilhado, juntado, tirado, costurado, posicionado. Nas pequenas coisas que não são pequenas somente pelo tamanho. Nos pequenos acontecimentos que nos passam.

Temos Visita. Instalação. Tacos e cabo de aço.
Psicotrama. Instalação. Alfinete niquelado sobre parede.
Hábito/ Habito. Intervenção. Costura com linhas pretas nas rachaduras das paredes do CCBM
Hábito/ Habito. Intervenção. Costura com linhas pretas nas rachaduras das paredes do CCBM
Revoada. Instalação. Galhos e palavras.
Vista da exposição. Fotoesculturas.
Vista da exposição. Revoada e Fotoesculturas.
Curadoria 
Bia Penna e Mariana Couto
Projeto Expográfico
Isadora Matos, Larissa Brandão, Paula Lopes e Sérgio O. Izzo
Performers
Augusto Henrique e Bruna Gonçalves 
Produção
Larissa Brandão
Colaboradores
Fabrício Silveira
Helena Martins
Helena Frade
Marize Moreno
Paulo Rafael
Walllace Faria

Não havia um relógio para acordar, ou ainda um simples galo que anunciasse, como um prenúncio, que uma centelha de vermelho ou mesmo de alaranjado se alastra pelo céu no horizonte daquele lugar. O Zeca tinha deixado a gente.
Encontrei com ela passando pela capela — descansando por conta das pernas inchadas; com uma sacola de alguma coisa que espetava, que segundo ela fazia um chá muito bom para as juntas. Pegou sua sacola, olhou pra dentro da capela, e disse: “Sabe porque o defunto nunca é enterrado de costas, meu fio? Quando vemos alguém de bruço, nos vemos e nos enxergamos no centro da espinha...E é por isso Miltinho, que as pessoas quando são enterradas não são colocadas de bruço”.
Comecei a ligar os pontos. À noite, um galo cantou.

Agradecimentos
Á tod_s funcionárias e funcionários do CCBM
Luiz Fernando P. Mirabel
Daniel Rodrigues
Meire Silva

© 2022 Lucas Soares

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