Cartografias
Me guio pelos objetos. Eles apontam. Não existe um caminho certo, após a primeira esquerda, as curvas são mais sinuosas. Olho para minhas mãos e vejo o antigo cachimbo de minha avó; instantaneamente algo me atinge. A natureza física de certos objetos materiais trazem marcas específicas à memória que se encontra no limiar da pele. Existe uma força nesses rastros de narrativas que constroem de maneira fragmentária o papel central dos objetos nos processos de rememoração, que ocorrem em um universo que é tanto de palavras quanto de coisas. Nesse embate de superfícies, entrelaço as construções e as contradições, os marcos e as marcas daquilo que está e se apresenta de maneira imperativa quanto a uma indeterminação de um tempo/ lugar e uma afirmação de pertencimentos.

Quebranto. 2020. 78 cm x 93 cm. Pirografia sobre tecido.

Bastião teve três chinelos na vida. 2020. 70 cm x 90 cm. Pirografia sobre tecido.

Todas as conchas do nosso rio. 2020. 39 cm x 18 cm. Pirografia sobre tecido.
Não havia um relógio para acordar, ou ainda um simples galo que anunciasse, como um prenúncio, que uma centelha de vermelho ou mesmo de alaranjado se alastra pelo céu no horizonte daquele lugar. O Zeca tinha deixado a gente.
Encontrei com ela passando pela capela — descansando por conta das pernas inchadas; com uma sacola de alguma coisa que espetava, que segundo ela fazia um chá muito bom para as juntas. Pegou sua sacola, olhou pra dentro da capela, e disse: “Sabe porque o defunto nunca é enterrado de costas, meu fio? Quando vemos alguém de bruço, nos vemos e nos enxergamos no centro da espinha...E é por isso Miltinho, que as pessoas quando são enterradas não são colocadas de bruço”.
Comecei a ligar os pontos. À noite, um galo cantou.
Trabalhos